sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Paredes


Descubro aos poucos o porquê?
Nunca ninguém sabe de tudo por mais que queira.
O porquê de tanto gostar do cinzento de um dia de chuva
Dela própria, a chuva, do frio, dele próprio...
Talvez porque assim esta constante que me marca
Que me consome, devora, não sobressai tanto,
Não sobressaio tanto, e por momentos sinto-me mais igual aos outros...
Não é isso que procuro, ser igual,
Mas é muitas vezes isso que preciso,
Para não viver de forma tão diferente, tão tétrica,
E sentir-me um monstro de ideias obscuras.
Obscuras nem será ilustrativo que chegue,
Como estas paredes de betão... negro,
Que dantes me protegiam e agora me enclausuram.
Angustia, tristeza, desanimo, falta de...tudo!
Olhar para a frente e sentir o frio desta prisão,
Não poder andar ou sequer mexer
Querer levantar os braços e lutar mas... está apertado aqui!
Tão apertado que esfolo a pele no rugoso destas paredes,
Até respirar tem o seu custo...
Muros altos que não escalo
Não consigo!
Oiço vozes lá de longe do outro lado do muro
Quase cânticos de alegria que lembram vitórias
Que lembram camaradas e amigos, muitas batalhas...
Relembro-os, inspiram-me, deve dar para mais umas horas,
Mato o vício, ocupo o cérebro,
Ressaco menos
Destruo-me um pouco menos!
Olho lá para fora, continua cinzento...

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