Nunca ninguém sabe
de tudo por mais que queira.
O porquê de tanto
gostar do cinzento de um dia de chuva
Dela própria, a
chuva, do frio, dele próprio...
Talvez porque assim
esta constante que me marca
Que me consome,
devora, não sobressai tanto,
Não sobressaio
tanto, e por momentos sinto-me mais igual aos outros...
Não é isso que
procuro, ser igual,
Mas é muitas vezes
isso que preciso,
Para não viver de
forma tão diferente, tão tétrica,
E sentir-me um
monstro de ideias obscuras.
Obscuras nem será
ilustrativo que chegue,
Como estas paredes
de betão... negro,
Que dantes me
protegiam e agora me enclausuram.
Angustia, tristeza,
desanimo, falta de...tudo!
Olhar para a frente
e sentir o frio desta prisão,
Não poder andar ou
sequer mexer
Querer levantar os
braços e lutar mas... está apertado aqui!
Tão apertado que
esfolo a pele no rugoso destas paredes,
Até respirar tem o
seu custo...
Muros altos que não
escalo
Não consigo!
Oiço vozes lá de longe
do outro lado do muro
Quase cânticos de
alegria que lembram vitórias
Que lembram
camaradas e amigos, muitas batalhas...
Relembro-os,
inspiram-me, deve dar para mais umas horas,
Mato o vício, ocupo
o cérebro,
Ressaco menos
Destruo-me um pouco
menos!
Olho lá para fora,
continua cinzento...

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