Por entre o silencio do tempo
Da rotina cega que
nos verga,
Oiço vozes dos que
já foram, partiram...
Murmúrios berrantes
dos mortos que um dia não o eram
E até um dia foram
mais que isso
Pessoas com voz
ativa na minha vida
E que ajudaram,
acarinharam, trataram de mim...
Mas há tanto tempo
perdidos no rio do esquecimento
Para lá de todas as
memórias correntes
Afogados nas
profundas e escuras águas,
Das memórias que não
quero lembrar.
E mesmo assim por
acaso ou infortúnio
Talvez ambos, ou até
mesmo nenhum,
Eis que me chamam em
jeito de outros tempos
De outras vontades,
de outras realidades,
Fico atónito,
faltam-me as palavras,
Não sei o que
responder,
Ao fim de segundos
eternos,
Desculpa enganei-me
no número?!?!?!
A barragem que me
imponho cede
A corrente é forte, águas densas que transbordam
E fluem em
pensamentos, memorias, até saudades,
Doenças mentais,
obsessões, mentiras, tristeza,
Num caudal imenso
que não acaba de dor...
Tudo se mistura num
rio só, todas as memórias,
Batalham-se por um
lugar, por um pensamento meu,
Por mais um dia de
loucura e podridão!
Sinto que me vou
perder e vou ceder,
Vou afogar-me no rio
que em mim nasce,
E em mim morre,
Tenho de controlar
esta corrente de um rio cheio de nada,
Vejo o lixo que
flutua nessas águas,
Cadáveres que à
superfície deambulam para todo o sempre
Nas entranhas da
minha alma e da minha vida...
Tento deixar os
mortos para trás,
Tento esquece-los
nem que por momentos apenas,
Tento ser normal
Tento viver,
sobreviver...
Até ao dia em que
lembramos á força
Que um dia já fomos
para lá de tudo, felizes ou quase!
E um dia tentamos
calar os mortos
Mas todos ouvimos
por mais que não o queiramos,
Seus grunhidos,
gemidos, preces, loucuras,
Todos nós os ouvimos
Quando eles gritam!



