sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Quando eles gritam


















Por entre o silencio do tempo
Da rotina cega que nos verga,
Oiço vozes dos que já foram, partiram...
Murmúrios berrantes dos mortos que um dia não o eram
E até um dia foram mais que isso
Pessoas com voz ativa na minha vida
E que ajudaram, acarinharam, trataram de mim...
Mas há tanto tempo perdidos no rio do esquecimento
Para lá de todas as memórias correntes
Afogados nas profundas e escuras águas,
Das memórias que não quero lembrar.
E mesmo assim por acaso ou infortúnio
Talvez ambos, ou até mesmo nenhum,
Eis que me chamam em jeito de outros tempos
De outras vontades, de outras realidades,
Fico atónito, faltam-me as palavras,
Não sei o que responder,
Ao fim de segundos eternos,
Desculpa enganei-me no número?!?!?!
A barragem que me imponho cede
A corrente é forte, águas densas que transbordam
E fluem em pensamentos, memorias, até saudades,
Doenças mentais, obsessões, mentiras, tristeza,
Num caudal imenso que não acaba de dor...
Tudo se mistura num rio só, todas as memórias,
Batalham-se por um lugar, por um pensamento meu,
Por mais um dia de loucura e podridão!
Sinto que me vou perder e vou ceder,
Vou afogar-me no rio que em mim nasce,
E em mim morre,
Tenho de controlar esta corrente de um rio cheio de nada,
Vejo o lixo que flutua nessas águas,
Cadáveres que à superfície deambulam para todo o sempre
Nas entranhas da minha alma e da minha vida...
Tento deixar os mortos para  trás,
Tento esquece-los nem que por momentos apenas,
Tento ser normal
Tento viver, sobreviver...
Até ao dia em que lembramos á força
Que um dia já fomos para lá de tudo, felizes ou quase!
E um dia tentamos calar os mortos
Mas todos ouvimos por mais que não o queiramos,
Seus grunhidos, gemidos, preces, loucuras,
Todos nós os ouvimos
Quando eles gritam!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Paredes


Descubro aos poucos o porquê?
Nunca ninguém sabe de tudo por mais que queira.
O porquê de tanto gostar do cinzento de um dia de chuva
Dela própria, a chuva, do frio, dele próprio...
Talvez porque assim esta constante que me marca
Que me consome, devora, não sobressai tanto,
Não sobressaio tanto, e por momentos sinto-me mais igual aos outros...
Não é isso que procuro, ser igual,
Mas é muitas vezes isso que preciso,
Para não viver de forma tão diferente, tão tétrica,
E sentir-me um monstro de ideias obscuras.
Obscuras nem será ilustrativo que chegue,
Como estas paredes de betão... negro,
Que dantes me protegiam e agora me enclausuram.
Angustia, tristeza, desanimo, falta de...tudo!
Olhar para a frente e sentir o frio desta prisão,
Não poder andar ou sequer mexer
Querer levantar os braços e lutar mas... está apertado aqui!
Tão apertado que esfolo a pele no rugoso destas paredes,
Até respirar tem o seu custo...
Muros altos que não escalo
Não consigo!
Oiço vozes lá de longe do outro lado do muro
Quase cânticos de alegria que lembram vitórias
Que lembram camaradas e amigos, muitas batalhas...
Relembro-os, inspiram-me, deve dar para mais umas horas,
Mato o vício, ocupo o cérebro,
Ressaco menos
Destruo-me um pouco menos!
Olho lá para fora, continua cinzento...

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Escolhas


“Somos um alvo incessante das nossas escolhas...sejam elas boas ou más...”

Fujo da realidade que me quer apanhar
Corro o mais que posso, esquivo para a frente,
Golpe após golpe,
Ganho equilíbrio contra ataco
Nada, nem um arranhão,
Pareço saco de treino desta vida FDP
Será por minha culpa?
Será que não me esforço?
Será que não me empenho o suficiente?
Tudo parece direito por instantes
Tudo parece estar como devia mas...
Burocracias e azares e faltas de informação
Não sei muito bem onde começa ou acaba o quê...



Quando sinto que estou a chegar a algum sitio, a desilusão.
Isto não é vida ou até será e eu é que não estou preparado
Eu? Será mesmo esse o problema? Eu?
Sorrio face à adversidade constante mas já me dói o corpo
Estou farto de levar porrada ser fodido por uma vida ingrata!
Chego a um porto que adivinho seguro
Apenas para constatar que é só mais um ponto de passagem
Mais um ponto de passagem desta vida estúpida
Desta viagem sem chegada prevista, desta viagem sem sentido,
Deste nada a que chamo existência,
Desta merda que é minha e que insisto pensar que controlo,
Estabilidade procuro em cada salpico de mar salgado nesta viagem,
Mas donde apenas retiro como certeza isso mesmo
O salgado, o azedo e ácido constante
Deste mar que navego rumo ainda não sei onde...
Estou cansado, desiludido, com duvidas se a minha escolha foi a melhor....
É triste sentir que estou sempre um passo atrás
Quando queria era deixar o futuro caminhar atrás de mim
Conseguir prever todos os golpes duros desta puta a que chamo vida!!!
E queimo uns atrás dos outros e mato-me lentamente,
Pergunto até quando vou ter possibilidade de me matar lentamente?
Até para isso está difícil!
Não quero preocupar os que me rodeiam os que querem bem
Minto em relação a muitas coisas apenas por um bem maior,
Não por mim mas por eles...
Por mim pouco importa, é só mais um dia não!!!
Mais uma escolha que parece ser certamente errada!!!
Temo que um dia uma destas escolhas que me persegue,
Seja a ultima, seja aquela pela que sempre esperei e a minha viagem acabe...mal!
Dizem que sempre que a vida nos fecha uma porta deixa sempre uma janela aberta...
E se eu estiver preso numa cave?

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Cansado


















Estou cansado que me digam o que fazer
O que escrever o que tenho de dizer
Cansado de olhares indiscretos com cara de rectos
Arranco  de mim esses intrujas esses falsos corretos
Na Traição a pena é a morte e o esquecimento
É vingança, é ter troco, é sofrimento
Não te enganes apenas vos deixo pousar…
Na hora certa vai ser a matar.


Relatos mal contados, só carnificinas na tua boca
E já são algumas, já és tudo menos oca
Mas infelizmente és mesmo assim, sem efeito,
Compra anulada ja nao tens jeito
Foste condenada sem julgamento
Sem apelo sem segundo pensamento.
És só isso um negocio cancelado por falta de pagamento



Traidores escumalha do pior,
Sem moral sem valores sem teor
Favelados, ratos de esgoto
Uma pequena comichão de escroto
Vocês são assim cães sem dono
Sarnentos sedentos opulentos...
Não sois mais que excrementos
Putanheiros chulos porcos...
Mas principalmente, e para mim,  para sempre MORTOS!

O vosso dia vai chegar... a seu tempo...